Rodrigo Gonçalves Pimentel avalia os erros que comprometem a riqueza multigeracional

Diego Velázquez
Diego Velázquez
Rodrigo Gonçalves Pimentel

Manter riqueza relevante ao longo de múltiplas gerações exige mais do que acumular patrimônio: exige evitar erros recorrentes que, embora conhecidos, continuam comprometendo famílias empresárias em todo o país, tema que Rodrigo Gonçalves Pimentel, filho do desembargador Sideni Soncini Pimentel, acompanha com frequência em sua atuação. Grande parte dessas famílias investe décadas construindo patrimônio e praticamente nenhum esforço equivalente em prepará-lo para atravessar a transição entre gerações, o que cria um desequilíbrio que raramente é percebido a tempo de ser corrigido com facilidade. Reconhecer esses padrões com antecedência ajuda famílias a evitar que decisões aparentemente inofensivas, tomadas ao longo de anos, comprometam de forma silenciosa a riqueza construída por gerações anteriores.

O padrão se repete independentemente do país ou do setor de origem do patrimônio: a maior parte das fortunas familiares não atravessa intacta a terceira geração. O motivo raramente está na qualidade do patrimônio original, mas nas decisões, ou na ausência delas, tomadas nas décadas que separam a geração fundadora das seguintes. É esse conjunto de decisões, mais do que qualquer fator externo, que separa famílias que preservam riqueza por gerações daquelas que a veem se dissipar em uma única transição mal planejada.

Quais erros mais comprometem a riqueza multigeracional das famílias?

Entre os erros mais recorrentes está a crença de que acumular patrimônio suficiente, por si só, garante sua manutenção ao longo de gerações futuras, sem necessidade de planejamento adicional sobre governança, educação financeira ou preparo dos herdeiros. As famílias que operam sob essa premissa costumam investir tempo e recursos significativos na geração de riqueza, mas praticamente nenhum esforço equivalente em prepará-la para sobreviver à transição entre gerações. Esse desequilíbrio só se torna evidente quando já é consideravelmente tarde para consertar com facilidade, momento em que as opções disponíveis costumam ser mais limitadas e mais caras do que teriam sido anos antes.

Rodrigo Gonçalves Pimentel
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Dividir patrimônio sem preparar os herdeiros

Um herdeiro que recebe, da noite para o dia, uma participação societária relevante sem nunca ter participado de uma reunião de sócios ilustra um padrão recorrente entre famílias com patrimônio relevante: dividir bens entre herdeiros sem qualquer preparo prévio sobre como administrá-los. O padrão se repete independentemente de quão bem-sucedida tenha sido a geração responsável por construir esse patrimônio originalmente. Rodrigo Gonçalves Pimentel reflete que herdeiros nessa situação tendem a tomar decisões precipitadas, motivadas por pressões de curto prazo ou por desconhecimento técnico, comprometendo em poucos anos o patrimônio construído ao longo de décadas de trabalho e disciplina financeira. O problema se agrava quando múltiplos herdeiros recebem partes do mesmo patrimônio sem qualquer coordenação entre eles sobre critérios comuns de gestão, o que transforma divergências pessoais em disputas sobre ativos que poderiam, com regras claras, ser preservados.

Ignorar a comunicação entre gerações

A ausência de diálogo aberto entre gerações sobre a composição, os objetivos e os riscos associados ao patrimônio familiar figura entre os erros mais subestimados na manutenção de riqueza multigeracional. Famílias que tratam informações patrimoniais como assunto restrito aos mais velhos, sem qualquer envolvimento gradual das gerações seguintes, tendem a formar herdeiros despreparados para assumir responsabilidades relevantes quando a transição efetivamente ocorre, ampliando o risco de decisões equivocadas justamente nos momentos de maior vulnerabilidade da família. Motivado, na maioria das vezes, pela boa intenção de proteger os mais jovens, esse silêncio tende a produzir o efeito exatamente oposto ao pretendido.

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Tratar governança como formalidade dispensável

Mas o que leva famílias que reconhecem, ao menos em teoria, a importância da governança a adiá-la mesmo assim? Muitas tratam sua implementação como formalidade dispensável, empurrada indefinidamente enquanto não surgem conflitos concretos. Rodrigo Gonçalves Pimentel ilustra que essa postergação constante costuma sair cara justamente quando a governança se torna mais necessária, como em momentos de sucessão ou de divergência entre ramos familiares, situações nas quais improvisar regras já consolidadas é consideravelmente mais difícil do que formalizá-las com antecedência. Quando ainda existe consenso e boa vontade suficientes entre os envolvidos, formalizar regras custa pouco; depois que o conflito já apareceu, o mesmo processo se torna consideravelmente mais caro e mais lento.

Concentração patrimonial deixa famílias mais expostas a crises setoriais

Setores inteiros já perderam relevância econômica ao longo de décadas, arrastando junto o patrimônio de famílias que mantiveram tudo concentrado na atividade que originalmente gerou a riqueza familiar. A concentração excessiva de patrimônio em um único ativo, negócio ou setor econômico representa risco recorrente para famílias que buscam sustentar riqueza por múltiplas gerações. Famílias que não diversificam seus investimentos ao longo do tempo ficam mais expostas a oscilações setoriais específicas, comprometendo a resiliência do patrimônio diante de crises que, embora imprevisíveis em sua origem, tornam-se menos destrutivas quando o patrimônio está distribuído entre diferentes classes de ativos. O apego emocional ao negócio original, embora compreensível, quase nunca justifica manter todo o patrimônio familiar exposto a um único risco setorial.

Como romper o padrão que dissolve riqueza entre gerações?

Evitar esses erros exige tratar a manutenção de riqueza multigeracional como processo ativo e contínuo, não como consequência automática do sucesso já alcançado. O processo envolve educação financeira progressiva para herdeiros, comunicação transparente sobre patrimônio, implementação antecipada de estruturas de governança e diversificação deliberada de investimentos, mesmo quando o negócio original ainda apresenta desempenho satisfatório e não sinaliza qualquer necessidade imediata de mudança de estratégia.

Na perspectiva de Rodrigo Gonçalves Pimentel, famílias capazes de reconhecer esses erros recorrentes e de trabalhar deliberadamente para evitá-los aumentam de forma significativa suas chances de sustentar riqueza relevante além da terceira geração, rompendo um padrão histórico que, embora comum, está longe de ser inevitável. O esforço de planejar com antecedência, ainda que pareça desnecessário enquanto tudo funciona bem, tende a valer cada centavo investido quando comparado ao custo de reconstruir um patrimônio perdido por decisões que poderiam ter sido evitadas. No fim, a riqueza que atravessa gerações não é a que resiste ao tempo por acaso, mas a que foi deliberadamente construída para isso.

 

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