SUS distribui 383 mil tubetes de insulina glargina para crianças e idosos

Diego Velázquez
Diego Velázquez

 Ministério da Saúde avança na troca da insulina NPH pela glargina, medicamento de ação prolongada que exige apenas uma aplicação diária.

O Ministério da Saúde acaba de dar um passo importante na modernização do tratamento de diabetes oferecido pelo Sistema Único de Saúde, com a distribuição de cerca de trezentos e oitenta e três mil tubetes de insulina glargina para todos os estados brasileirosA pasta já encaminhou, até esta terça-feira (21), cerca de 383 mil tubetes de insulina glargina para todo o Brasil e canetas reutilizáveis para sua aplicação. A novidade responde a uma dúvida recorrente entre pacientes e familiares de pessoas com diabetes: por que trocar um medicamento já conhecido, a insulina NPH, por uma opção mais moderna, e o que muda de fato na rotina de quem depende desse tratamento todos os dias. O PROGRESSO

Quem vai receber o novo medicamento

 

A transição para a insulina glargina começou de forma direcionada, atendendo dois grupos específicos dentro do SUS. Têm prioridade crianças e adolescentes de dois anos até dezessete anos completos com diabetes tipo 1, além de pessoas com setenta anos ou mais que convivem com diabetes tipo 1 ou tipo 2O público-alvo são pacientes de 2 a 18 anos incompletos com diabetes tipo 1 e pessoas com 70 anos ou mais com diabetes tipo 1 ou 2. A escolha por esses dois extremos etários faz sentido do ponto de vista clínico, já que crianças pequenas e idosos costumam ter maior dificuldade para seguir esquemas de aplicação mais complexos, o que reforça a importância de um tratamento mais simples e estável. Agência Gov

Para ter acesso à nova insulina, o paciente ou seu responsável precisa procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima com a receita médica devidamente emitida e carimbadaPara ter acesso ao medicamento, o cidadão deve procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de sua residência com a receita médica devidamente emitida e carimbada. Pais, responsáveis e cuidadores também podem solicitar diretamente na unidade de saúde a substituição da insulina NPH pela glargina, desde que o paciente se enquadre nos critérios definidos pelo Ministério da Saúde para essa primeira etapa da troca. Ministério da Saúde

Por que a insulina glargina é considerada mais moderna

 

A principal vantagem da nova insulina está na forma como ela age no organismo. Diferentemente da NPH, que costuma exigir duas ou três aplicações ao longo do dia, a glargina tem ação prolongada e, na maioria dos casos, permite apenas uma aplicação diáriaDiferentemente da insulina NPH, a insulina glargina tem ação prolongada e, na maioria dos casos, requer apenas uma aplicação diária. Essa característica tende a facilitar bastante a rotina de quem convive com diabetes, especialmente crianças em fase escolar e idosos que dependem de terceiros para lembrar dos horários de aplicação. Portal CBN Caruaru

Segundo especialistas ouvidos pelo Ministério da Saúde, o novo esquema terapêutico também contribui para um controle mais estável da glicemia, reduzindo o risco de episódios de hipoglicemiaFármaco contribui para um controle mais estável da glicemia e reduz o risco de episódios de hipoglicemia. Isso significa menos oscilações bruscas de açúcar no sangue, o que na prática reduz situações de emergência e melhora a qualidade de vida de quem já convive com a doença há anos, muitas vezes lidando com os efeitos colaterais de esquemas de aplicação mais rígidos. O PROGRESSO

Como está avançando a distribuição pelo país

 

O ritmo de entrega tem sido acelerado nas últimas semanas. Em pouco mais de uma semana, o volume de tubetes enviados aos estados praticamente saltou de duzentos e cinquenta e quatro mil para trezentos e oitenta e três mil, acompanhado da distribuição de canetas reutilizáveis para aplicação do medicamentoAté essa segunda-feira (13), o Ministério da Saúde já havia encaminhado mais de 254 mil tubetes de insulina glargina a 16 estados. Estados como São Paulo já receberam mais de cento e treze mil tubetes e cerca de trinta e um mil canetas, enquanto Minas Gerais recebeu pouco mais de cinquenta e três mil unidades do medicamentoSão Paulo recebeu um total de 113.337 tubetes do medicamento, além de 30.966 canetas reutilizáveis para aplicação. Agência BrasilNoticiamarajo

A expectativa do Ministério da Saúde é de que todas as unidades da federação recebam os insumos necessários até o fim de julho, permitindo que a transição comece a ser aplicada de forma mais ampla nas Unidades Básicas de Saúde de cada municípioA previsão é que todos os estados brasileiros recebam os insumos até o fim de julho. A iniciativa é resultado de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo, estratégia que viabiliza a fabricação nacional do medicamento e busca garantir estoques mais seguros para o SUS, reduzindo a dependência de importações em um insumo tão sensível para milhões de pacientes. Afya

Cada paciente elegível recebe, junto com o medicamento, uma caneta reutilizável para aplicação, com validade de três anos, além das agulhas necessárias para o uso correto do produtoJunto com a insulina glargina, será disponibilizada uma caneta reutilizável para aplicação, com validade de três anos, além das agulhas necessárias para a administração do produto. O acompanhamento não se resume à entrega do insumo: pacientes e famílias são recebidos por uma equipe multiprofissional, responsável por avaliar o quadro clínico, orientar sobre a técnica de aplicação e o armazenamento adequado do medicamento, além de acompanhar a adaptação ao novo esquema terapêutico nas primeiras semanas de uso. Agência Brasil

Para quem já convive há anos com o diabetes tipo 1 ou tipo 2 e faz parte dos grupos prioritários dessa primeira etapa, o recado do Ministério da Saúde é direto: vale a pena procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima para entender se já é possível fazer a transição. Com a distribuição avançando estado por estado ao longo de julho, a expectativa é de que, nos próximos meses, o novo esquema de aplicação única diária se torne cada vez mais acessível dentro da rede pública, trazendo mais estabilidade e menos sobressaltos para quem depende da insulina todos os dias.

Fontes:

 
 

Compartilhe este artigo