Poucos setores refletem tão bem quanto a gastronomia as exigências do empreendedorismo, algo que o empreendedor Fredy da Silva Gonçalves Bento conhece de perto. Um restaurante reúne, sob o mesmo teto, compras, cozinha, atendimento, controle financeiro e gestão de equipe, e qualquer falha em uma dessas áreas aparece de imediato na experiência do cliente. Para quem tem origem no comércio de roupas, o salão e a cozinha representam um território novo de aprendizado, em que a rotina intensa convive com a necessidade de entregar qualidade todos os dias, inclusive nos períodos de maior movimento. A gastronomia também recompensa quem acompanha de perto cada detalhe, da escolha do fornecedor ao ponto exato da comida.
Por que o restaurante testa o empreendedor?
Operar um restaurante significa lidar com variáveis que mudam a cada serviço. O fornecimento de insumos oscila, o movimento do salão depende de dia, horário e clima, e a margem de lucro costuma ser estreita, o que obriga o gestor a acompanhar custos com disciplina. A equipe, por sua vez, precisa funcionar como engrenagem, já que o cliente percebe tanto o prato quanto o tempo de espera e a cordialidade do atendimento. A soma desses fatores explica por que o setor é visto como uma escola de gestão para quem decide empreender.
Ao longo dos anos, foi também no setor gastronômico que Fredy da Silva Gonçalves Bento passou a empreender, com o Restaurante Capitães. A entrada na área ampliou o repertório de alguém que já conhecia a venda direta e a construção de marca, e acrescentou a experiência de comandar um negócio de serviço, no qual a reputação se constrói prato a prato. O aprendizado com a gastronomia dialoga de forma direta com o empreendedorismo, porque exige presença, atenção a detalhes e capacidade de reagir depressa a imprevistos. Também ensina que a reputação demora a ser construída e pode ser abalada rapidamente por um único serviço malsucedido.
Capitães e Hina Restaurante, dois momentos da mesma história
O Restaurante Capitães abriu o capítulo gastronômico, e o Hina Restaurante veio depois, em um momento posterior da trajetória. Abrir um segundo restaurante costuma refletir amadurecimento, pois o empreendedor chega ao novo projeto com repertório sobre cardápio, ponto comercial, fornecedores e atendimento. Cada casa tem identidade própria e público específico, mas ambas compartilham uma lógica de cuidado com o cliente e atenção à rotina da cozinha, elementos que sustentam a fidelização no setor de alimentação fora do lar. A experiência acumulada em um projeto costuma facilitar decisões mais seguras no seguinte.
Desenvolvido por Fredy da Silva Gonçalves Bento em parceria com a irmã, Milena da Silva, o Hina Restaurante também traz a dimensão familiar para o centro da narrativa. Sociedades entre irmãos costumam ter a vantagem da confiança mútua e da divisão natural de tarefas, embora exijam clareza sobre papéis e decisões. A importância atribuída à família e às origens aparece, assim, de forma discreta em um projeto gastronômico, lembrando que valores pessoais também ajudam a definir o estilo de um negócio e o ambiente que ele oferece ao público.
O que a cozinha ensina sobre gestão de pessoas?
Uma cozinha profissional funciona com hierarquia clara, comunicação objetiva e treinamento constante. Quando o salão lota, não há tempo para dúvidas, e cada integrante precisa conhecer a própria função e a dos colegas. Por isso, contratar bem, ensinar processos e manter um ambiente de respeito pesam tanto quanto a qualidade do ingrediente, e o treinamento contínuo reduz a distância entre o que o cliente espera e o que recebe. Quem comanda restaurantes aprende que a satisfação do cliente começa dentro da equipe e que o clima de trabalho se reflete no prato que chega à mesa.
Fredy da Silva Gonçalves Bento acumula, entre restaurantes, eventos e lojas, uma vivência em formação de equipes que atravessa toda a sua história empresarial. Dos salões às lojas de mobilidade elétrica, o tema da geração de empregos reaparece e liga os capítulos entre si, o que oferece uma chave para compreender etapas seguintes, como a produção de grandes eventos e a gestão de uma rede de varejo com dezenas de colaboradores. A convivência diária com equipes de cozinha, salão e atendimento mostra que liderar é, antes de tudo, organizar o trabalho coletivo.

