Faltam pouco mais de três meses para o primeiro turno das eleições de 2026, marcado para o dia 4 de outubro, e o calendário eleitoral entrou na fase de maior movimentação fora das urnas. Partidos definem alianças, pré-candidatos saem às ruas e a máquina da Justiça Eleitoral trabalha para garantir que tudo ocorra dentro das regras. Para o eleitor, entender o que acontece agora ajuda a compreender melhor as escolhas que estarão disponíveis no dia da votação.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, os recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o chamado fundo eleitoral, já foram disponibilizados pela União ao TSE em junho. A distribuição dos valores entre os partidos leva em conta critérios como o desempenho das siglas nas últimas eleições para a Câmara dos Deputados e o número de representantes eleitos no Congresso. Após receber os recursos, cada partido decide internamente como vai distribuí-los entre suas candidaturas.
Convenções partidárias: de onde saem os candidatos
Entre 20 de julho e 5 de agosto, os partidos realizam suas convenções para escolher os candidatos que disputarão todos os cargos em jogo: presidente, governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais. De acordo com o calendário eleitoral aprovado pelo TSE, os pedidos de registro de candidatura devem ser apresentados à Justiça Eleitoral até 15 de agosto, e a propaganda eleitoral nas ruas e na internet começa oficialmente no dia 16 de agosto.
No total, mais de 150 milhões de brasileiros são convocados às urnas. Além do presidente da República, estarão em disputa duas vagas ao Senado por estado, governadores e vice-governadores, além de deputados federais, estaduais e distritais. É uma eleição de alto impacto institucional, especialmente para o Congresso: dois terços do Senado, ou seja, 54 cadeiras, serão renovados com o fim dos mandatos atuais.
A polarização chega ao Senado
A disputa pelo Congresso já revela movimentos intensos. Conforme apuração da Gazeta do Povo, a direita tem trabalhado desde 2024 para evitar a fragmentação de candidaturas ao Senado, montando duplas de candidatos em cada estado com o objetivo de maximizar votos sem dispersão. O PL, partido de Flávio Bolsonaro, está entre os mais organizados nessa estratégia.
Pesquisa do instituto Genial/Quaest realizada em março com 2.004 entrevistados apontou que 66% dos brasileiros querem eleger senadores comprometidos a aprovar pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. O dado mostra que a pauta do Congresso, em muitos estados, está sendo fortemente influenciada pela polarização que marca a corrida presidencial.
Regras importantes para o eleitor
Quem ainda não regularizou o título de eleitor perdeu o prazo de 6 de maio e não poderá votar em 2026. Para quem já está regularizado, basta conferir a seção eleitoral pelo portal do TSE. Uma mudança que afeta pré-candidatos: quem ocupa cargo executivo e quer disputar outro cargo precisou se afastar da função dentro do prazo definido pela Constituição. Governadores que querem concorrer à presidência, por exemplo, precisaram renunciar ao mandato.
A Justiça Eleitoral também proibiu, desde 1 de janeiro, a distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios pela administração pública, com exceção de programas sociais já previstos em lei e em execução orçamentária anterior. A regra vale até 31 de dezembro de 2026 e é uma das ferramentas para garantir condições mais equilibradas na disputa. Mais informações estão disponíveis no portal oficial do TSE.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

