Como a gestão integrada de pragas e doenças está mudando a produtividade das lavouras no Norte do Brasil? Entenda com Guilherme Campos

Diego Velázquez
Diego Velázquez
Guilherme Silva Ribeiro Campos

Segundo Guilherme Campos, empresário do setor imobiliário e agro com atuação consolidada na Região Norte, a gestão integrada de pragas e doenças representa uma das transformações mais relevantes na forma como produtores rurais do Norte do Brasil conduzem suas lavouras. Durante muito tempo, o controle fitossanitário foi tratado de forma reativa, com aplicações de defensivos agrícolas realizadas apenas após a identificação dos problemas, sem monitoramento sistemático e sem integração entre as diferentes estratégias de controle disponíveis. Esse modelo custou ao setor anos de produtividade comprometida e custos operacionais desnecessariamente elevados.

A mudança para um modelo de gestão integrada, que combina monitoramento preventivo, controle biológico, manejo cultural e uso criterioso de defensivos químicos, está transformando os resultados das lavouras em estados como Roraima, Pará e Amazonas. 

Compreender os princípios e as práticas da gestão integrada é fundamental para ampliar a competitividade das lavouras sem elevar proporcionalmente os custos de produção. A seguir, entenda como esse modelo funciona na prática e o que ele representa para a produtividade no Norte do Brasil.

O que é gestão integrada de pragas e doenças?

A gestão integrada de pragas e doenças, conhecida pela sigla MIP no caso de pragas e MID no caso de doenças, é uma abordagem que combina diferentes métodos de controle com o objetivo de manter as populações de organismos prejudiciais abaixo do nível de dano econômico, sem eliminar completamente sua presença no sistema produtivo. Diferentemente do controle químico exclusivo, a gestão integrada reconhece que a eliminação total de pragas e doenças é impossível e que a tentativa de alcançá-la gera custos elevados, resistência dos organismos aos defensivos e desequilíbrios ecológicos que, a médio prazo, agravam os próprios problemas que se tentava resolver.

Conforme elucida Guilherme Campos, produtores que adotam a gestão integrada passam a tomar decisões baseadas em dados de monitoramento e em critérios técnicos estabelecidos pela pesquisa agronômica, em vez de seguir calendários fixos de aplicação de defensivos. Essa mudança de abordagem reduz o número de aplicações, diminui os custos com insumos e preserva a presença de inimigos naturais que contribuem para o controle biológico das pragas ao longo do ciclo produtivo.

Os desafios específicos das lavouras no Norte do Brasil

A Região Norte apresenta condições climáticas que tornam o manejo fitossanitário particularmente desafiador. A alta temperatura e a umidade elevada durante boa parte do ano criam condições favoráveis para a proliferação de fungos, bactérias e insetos que não encontram as mesmas restrições climáticas observadas em regiões mais secas ou com invernos definidos. Esse ambiente exige monitoramento mais frequente e estratégias de controle adaptadas às condições locais.

Na perspectiva de Guilherme Campos, a pesquisa agronômica voltada especificamente para as condições do Norte ainda é insuficiente em relação à demanda dos produtores da região. Isso porque grande parte das recomendações técnicas disponíveis foi desenvolvida para as condições do Centro-Oeste e do Sul do Brasil, e sua aplicação direta nas lavouras do Norte nem sempre produz os resultados esperados. Diante desse cenário, essa lacuna representa tanto um desafio quanto uma oportunidade para instituições de pesquisa e para produtores dispostos a sistematizar e compartilhar os conhecimentos adquiridos em suas próprias propriedades.

Guilherme Silva Ribeiro Campos
Guilherme Silva Ribeiro Campos

Controle biológico e suas aplicações práticas

Um dos pilares da gestão integrada que mais tem avançado nas lavouras brasileiras é o controle biológico, que utiliza organismos vivos como fungos entomopatogênicos, bactérias, vespas parasitoides e predadores naturais para reduzir as populações de pragas de forma seletiva e sustentável. Segundo Guilherme Campos, esse método, que há algumas décadas era considerado alternativo ou complementar, ganhou protagonismo à medida que os custos dos defensivos químicos aumentaram e a resistência de pragas a esses produtos se tornou um problema crescente.

Os produtores do Norte que investiram na implementação de programas de controle biológico relatam reduções significativas nos custos com defensivos, sem comprometimento da produtividade. A adoção dessas práticas exige capacitação técnica e monitoramento mais rigoroso do que o controle químico convencional, mas os resultados econômicos e ambientais justificam o investimento, especialmente em propriedades de médio e grande porte, onde a escala amplifica os ganhos de eficiência.

O papel da tecnologia no monitoramento e na tomada de decisão

A incorporação de tecnologias de monitoramento, como armadilhas com sensores, drones equipados com câmeras multiespectrais e plataformas de gestão agronômica baseadas em dados, está transformando a capacidade dos produtores de identificar problemas fitossanitários em estágios iniciais, quando as intervenções são mais eficazes e menos custosas. Esse monitoramento de precisão é um dos elementos que mais diferencia a gestão integrada moderna do modelo reativo que ainda predomina em muitas propriedades da região.

Guilherme Campos destaca que a adoção dessas tecnologias no Norte do Brasil ainda é limitada pela disponibilidade de assistência técnica especializada e pelo custo de acesso a equipamentos e plataformas digitais em regiões com infraestrutura de conectividade deficiente. Superar essas barreiras é um dos principais desafios para a modernização do setor agrícola da região e uma das áreas onde o investimento público e privado em capacitação e infraestrutura pode gerar retorno mais expressivo para o desenvolvimento regional.

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