Brasil aposta em agentes de inteligência artificial como próxima fronteira tecnológica

Diego Velázquez
Diego Velázquez

Plano Brasileiro de Inteligência Artificial prevê bilhões em investimento até 2028, enquanto empresas migram de assistentes simples para sistemas mais autônomos.

Depois de um ciclo marcado por promessas grandiosas, a inteligência artificial entra na segunda metade de 2026 em um momento mais maduro, no qual o discurso de inovação começa a dar lugar a resultados concretos dentro das empresas. Uma das perguntas mais frequentes entre profissionais de tecnologia é justamente essa: a IA generativa que dominou manchetes nos últimos anos vai continuar sendo o centro das atenções, ou o mercado já está de olho em algo além dela. A resposta, segundo especialistas do setor, passa por um conceito que ganhou força neste ano: os agentes autônomos de inteligência artificial.

Da IA generativa aos agentes autônomos

Segundo o instituto de pesquisa Gartner, a ascensão dos agentes de IA está entre as principais tendências tecnológicas para 2026, ao lado da consolidação da própria IA generativa. A previsão é de que essas ferramentas provoquem uma reestruturação bilionária no mercado de tecnologia nos próximos dois anos, à medida que empresas passam a buscar não apenas respostas prontas, mas sistemas capazes de tomar decisões e executar tarefas complexas sozinhosIsso porque o Gartner anunciou a lista de principais tendências em tecnologia para 2026 e o destaque é a ascensão dos agentes de IA, além da inteligência artificial generativa (GenAI). A projeção também aponta que, até 2027, três em cada quatro processos de contratação devem incluir algum tipo de certificação ou teste de proficiência em inteligência artificial, o que já reflete uma mudança na forma como empresas avaliam candidatos. IT Forum

Essa migração de ferramentas mais simples para agentes mais sofisticados não é exclusividade do mercado internacional. Analistas do setor no Brasil já apontam 2026 como o ano da virada dos agentes de IA no mercado nacional, com ganhos de produtividade que se estendem da análise de dados até a tomada de decisão em ambientes digitaisOs agentes de IA são tendência pelo ganho de produtividade em todos os setores, inclusive em tecnologia, pois oferecem análises de dados e tomadas de decisão também no ambiente digital. Isso significa que empresas brasileiras de diferentes portes começam a testar sistemas que vão além do simples chatbot, incorporando IA em fluxos internos de trabalho, atendimento e gestão de operações. IT Forum

O investimento bilionário do governo brasileiro

No campo das políticas públicas, o Brasil aposta suas fichas no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, que prevê algo em torno de vinte e três bilhões de reais em investimentos até 2028No Brasil, o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) prevê R$ 23 bilhões em investimentos até 2028. A iniciativa, elaborada com participação do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, busca transformar o país em referência global no setor, com projetos que vão da agricultura à segurança cibernética. O plano nasce em um momento em que o setor global de inteligência artificial já se aproxima da casa dos novecentos bilhões de dólares em 2026, segundo projeções compiladas por relatórios de mercadoprojeções compiladas por relatórios de mercado apontam que o setor global de IA deve superar a casa dos US$ 900 bilhões ainda em 2026. PreparaPrepara

Para o mercado de trabalho, essa transformação tem gerado tanto expectativa quanto apreensão. Levantamentos do Fórum Econômico Mundial estimam que mais de quarenta por cento das habilidades hoje exigidas devem mudar até o fim da década, impulsionadas justamente pela automação e pela inteligência artificialSegundo o Fórum Econômico Mundial (WEF), mais de 40% das habilidades hoje demandadas no mercado devem mudar até o fim da década, impulsionadas por automação e IA. Ainda assim, especialistas reforçam que o cenário não deve ser interpretado como uma disputa entre humanos e máquinas, mas como uma reorganização do trabalho em torno de novas competências ligadas à governança e ao uso estratégico da tecnologia. Prepara

Privacidade de dados e regulação em debate

O avanço acelerado da inteligência artificial generativa também trouxe de volta o debate sobre privacidade e uso responsável de dados. Startups brasileiras têm liderado iniciativas que utilizam IA generativa para automação de processos e criação de conteúdo, mas esse crescimento vem acompanhado de preocupações regulatórias que já mobilizam tanto o Brasil quanto a União EuropeiaAs startups brasileiras estão liderando iniciativas que utilizam IA generativa para diversas aplicações, desde a criação de conteúdo até a automação de processos empresariais. A tendência, segundo analistas do setor, é que 2026 marque também o amadurecimento das discussões sobre governança de IA, com empresas que adotam auditorias e políticas éticas ganhando vantagem competitiva frente às que ignoram esse tipo de cuidado. BRA 1

Some se a isso a pressão crescente por transparência nos algoritmos, tema que deve ganhar corpo em debates públicos e não apenas em círculos técnicos especializados ao longo do segundo semestre. Empresas que resistirem a adaptar suas práticas de governança correm o risco de enfrentar sanções e desgaste de imagem, em um momento no qual reguladores em diferentes países afinam critérios de fiscalização quase ao mesmo tempo.

Diante desse cenário, fica claro que a inteligência artificial deixou de ser um experimento isolado para se tornar parte da infraestrutura de negócios, governos e instituições de ensino no Brasil. O desafio para o restante de 2026 será equilibrar a corrida por inovação com a construção de regras claras de uso, capacitação da força de trabalho e proteção de dados, temas que devem seguir no centro do debate tecnológico nos próximos meses.

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